segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Reflexão para fim de semestre.


"Muitas das grandes realizações do mundo foram feitas por homens cansados e desanimados que continuaram trabalhando."


Jaque


terça-feira, 4 de novembro de 2008

Biodiesel de Algas Marinhas

Ninguém mais estranha a idéia de ter óleos de girassol. mamona, soja, dendê misturado ao Diesel Comum – o tão falado Biodiesel. Mas será que essas são as únicas plantas que podem ser usadas? A resposta é não. O que pouca gente sabe é que inclusive algas podem ser usadas!

Atualmente mais de 150 espécies de algas são usadas comercialmente para prover alimentos aos seres humanos e animais, servir como agentes espessantes em sorvetes e eliminar doenças em forma farmacêutica. O que poucos sabem é que as algas e os plânctons podem ser usados como biomassa para produção de biocombustíveis.

Apesar de os Estados Unidos serem um dos países que mais contribuem para as emissões gasosas que promovem o aquecimento global - e de não serem muito fãs de tratados para redução de emissões - é de lá que vem essa tecnologia. E surpresa: eles pesquisam isso desde 1978.

A empresa emergente Solazyme, dos Estados Unidos, apresentou a primeira versão operacional de seu sistema de biologia sintética capaz de gerar biodiesel a partir do processamento de algas marinhas.

Segundo nota da empresa, o seu biodiesel derivado de algas passou nos testes iniciais de avaliação, alimentando um veículo comercial em condições reais de tráfego.

Esse processo utiliza um equipamento de fermentação padrão da indústria, o que significa que ele é escalável, podendo produzir o biodiesel em larga escala.

O veículo de testes rodou com o seu motor diesel original, sem modificações. Ele foi abastecido com uma mistura do diesel tradicional com o novo biodiesel. A tecnologia está sendo avaliada em conjunto com a empresa Chevron.

Enquanto que a soja é capaz de produzir cerca de 450 litros de Biodiesel por hectare a cada ano, estima-se que as algas poderiam produzir cerca de 90 mil litros por hectare a cada ano. Além disso, há três outras vantagens:

1) algas podem ser cultivadas em terrenos que não são bons para agricultura (terrenos não aráveis) e em pequenas áreas;

2) há a possibilidade de gerar etanol a partir do que resta após a retirada do óleo.

3) como utilizam CO2 atmosférico, o produtor pode vender os créditos de carbonos. Há um projeto nos EUA que pretende direcionar o CO2 produzido por uma cervejaria para um cultivo de algas, e assim, diminuir as emissões.

Apesar de o Laboratório Nacional de Energia Renovável americano já ter selecionado cerca de 300 espécies que produzem bastante óleo, ainda é difícil reproduzir os resultados de laboratório em um tanque real, que esteja exposto às condições naturais. Isso porque a iluminação, precipitação, pH e organismos invasores causam perturbação e podem substituir a alga de interesse. Enquanto esses problemas não forem resolvidos, a idéia permanece economicamente inviável.

O biocombustível não representa uma revolução energética, já que a sua fabricação continua sendo extremamente danosa ao ambiente. Claro, não podemos negar que se trata de um avanço que promove desenvolvimento, economia e renda. Mas ainda é um paliativo, uma vez que não nos livra da dependência de motores à combustão e, portanto, das emissões gasosas nocivas à saúde.

Biodiesel

Biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, que pode ser obtido por diferentes processos tais como o craqueamento, a esterificação ou pela transesterificação. Pode ser produzido a partir de gorduras animais ou de óleos vegetais, existindo dezenas de espécies vegetais no Brasil que podem ser utilizadas, tais como mamona, dendê ( palma ), girassol, babaçu, amendoim, pinhão manso e soja, dentre outras.

O biodiesel substitui total ou parcialmente o óleo diesel de petróleo em motores ciclodiesel automotivos (de caminhões, tratores, camionetas, automóveis, etc) ou estacionários (geradores de eletricidade, calor, etc). Pode ser usado puro ou misturado ao diesel em diversas proporções. A mistura de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo é chamada de B2 e assim sucessivamente, até o biodiesel puro, denominado B100.

Segundo a Lei nº 11.097, de 13 de janeiro de 2005, biodiesel é um “ biocombustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna com ignição por compressão ou, conforme regulamento, para geração de outro tipo de energia, que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil”.

A transesterificação é processo mais utilizado atualmente para a produção de biodiesel. Consiste numa reação química dos óleos vegetais ou gorduras animais com o álcool comum (etanol) ou o metanol, estimulada por um catalisador, da qual também se extrai a glicerina, produto com aplicações diversas na indústria química.

Além da glicerina, a cadeia produtiva do biodiesel gera uma série de outros co-produtos (torta, farelo etc.) que podem agregar valor e se constituir em outras fontes de renda importantes para os produtores

O Biodiesel apresenta vantagens quanto à produção e utilização já sobejamente conhecidas. Estas vantagens poderão ser ampliadas, pelo aproveitamento da grande biodiversidade que o país apresenta, pois as muitas espécies capazes de produzir biodiesel crescem bem nos diversos territórios do nosso solo agrícola. Essa diversificação pode garantir a continuidade da produção de biodiesel especialmente por fazer a salvaguarda de quebras de safra, perdas sazonais, etc. Como matérias-primas para a produção de biodiesel, vêm sendo empregadas espécies vegetais; porém, como as microalgas já demonstraram potencialidades para a produção de biodiesel, e várias vantagens em relação aos vegetais superiores, deveriam ser consideradas como possíveis fontes de matéria-prima. Este trabalho tem por objetivo fazer uma análise crítica do uso de microalgas para produção de biodiesel, considerando as vantagens e desvantagens do seu uso, bem como sugestões de estudos e tecnologias a serem desenvolvidos.

Matérias-primas utilizadas na produção industrial de Biodiesel

As principais matérias-primas utilizadas são: a soja, a mamona e o dendê. A soja tem potencial para oferecer todo o óleo necessário mesmo para a mistura dos 5%, porém ela sofre restrições de natureza econômica. A mamona é uma cultura que apresenta viabilidade para dar sustentabilidade aos assentamentos rurais no semi-árido, sendo a base de uma das cadeias produtivas do semi-árido. Em relação ao dendê, a Agropalma utiliza o óleo que é resíduo do processo de refino. Neste caso, o processo utilizado é a esterificação dos ácidos graxos residuais no processo de refino do óleo.

Matérias-primas em Estudo

Outras oleaginosas vêm sendo testadas em plantas experimentais, como o girassol, o algodão, o amendoim, o nabo forrageiro, o milho. Em relação às plantas nativas, embora algumas apresentem bons resultados em laboratórios, como o pequi, o buriti e a macaúba, sua produção é extrativista e não há plantios comerciais que permitam avaliar com precisão as suas potencialidades. No caso da Jatropha curcas L, os estudos vêm avançando e esta escolha baseia-se nas ótimas qualidades da mesma, chegando a produzir de 1 a 6 toneladas de óleo/ha. Quanto ao uso do sebo, o biodiesel gerado é de qualidade ligeiramente inferior, porém, o custo de produção é cerca de 30% inferior ao daquela proveniente de óleos vegetais.

Critérios para análise da seleção de matérias-primas para a produção de Biodiesel

Estes critérios estão baseados em aspectos relevantes como: grande teor de óleo por área e por período de cultivo; a cultura deve apresentar um balanço energético favorável; o preço da matéria-prima deve ser compatível com a necessidade de fornecer biodiesel com preços equivalentes ao diesel; o subproduto de extração do óleo deve ser aproveitado, sempre que possível, na alimentação humana ou animal; a cultura oleaginosa deve ser parte da rotação de culturas regionais; o biodiesel produzido deve atender as especificações dos motores.